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Juventude Monárquica de Lisboa Futurália

Está a decorrer com enorme sucesso a presença da Juventude Monárquica de Lisboa Futurália, Salão de Oferta Educativa, formação e Emprego que decorre até ao próximo dia treze na FIL no Parque da Nações.

Localizado no  pavilhão 1 o concorrido stand D22 reflecte uma imagem elegante e moderna. Nesse elegante espaço a JML disponibiliza aos visitantes informação diversa sobre a forma de regime monárquico constitucional, como por exemplo um desdobrável com as questões frequentes, ou um passatempo interactivo com oferta de t shirt para os vencedores, entre outro material didáctico.

Está prevista uma visita do S.A.R. D. Duarte Duque de Bragança e família para o próximo Sábado dia 13, pelas 17,00hs.



Correio Real No. 2

Distribuído aos sócios via CTT, o segundo número do boletim da Real Associação de Lisboa, o Correio Real, contém uma visita à Infanta D. Maria Adelaide além de diversos artigos e notícias de interesse para todos os monárquicos, pode agora ser descarregado aqui.

Para obter um exemplar em papel, basta fazer a sua encomenda aqui na loja.

Ética: mais do mesmo?

Todo o País se indigna com as “guerras” entre Governo e Comunicação Social, com as reveladas cumplicidades entre aquele e as altas instâncias do Poder Judicial e com o conhecimento de tentaculares manipulações de bancos e empresas públicas, com vista a silenciar jornalistas críticos ou incómodos.

Isto, envolvendo um primeiro-ministro recém-eleito por falta de alternativa credível, apesar de serem já sobejamente conhecidas muitas das aldrabices e trapalhadas em que se encontrava envolvido, desde a licenciatura ao Freeport.

Em crise económica e financeira sem fim à vista, pelo constante e irresponsável aumento do funcionalismo público, usado como moeda de troca pelos partidos do poder durante décadas, agravada pela conjuntura internacional e pelo consequente aumento do desemprego interno e pelo inerente aumento de custos para a segurança social, era a última coisa de que Portugal precisava.

Alguns ingénuos, eventualmente convictos da bondade do regime, apelam a Belém para intervir, no sentido de devolver a credibilidade ao Estado que devia ser de Direito, mas em que este se encontra perdido em paradeiro incerto.

Infundada esperança, porque o Senhor Cavaco Silva, enredado na sua própria agenda política, mantém o silêncio, talvez à espera que o seu partido de origem se reorganize e eleja um novo líder, que lhe permita enfim dissolver o parlamento e convocar novas eleições, como já sucedeu há anos com o seu antecessor, numa esplendorosa manifestação do que eles chamam de ética republicana, que nos valeu a todos, estes anos de confusão, promiscuidades e mentiras.

Mas não se pense que o defeito está nas pessoas que ocupam os cargos. Enquanto não entendermos que só com outra origem de poder o chefe de Estado se pode constituir como fiel da balança e agir em nome de toda a comunidade, sem suportar o labéu de influenciar o jogo político a favor do partido que o apoiou para ser eleito, podemos estar certos de iremos ter, com regularidade, mais do mesmo.

A centenária e caquética república precisava, para se regenerar e nos servir, de uma chefia de Estado Real.


Nota: o texto publicado é da exclusiva responsabilidade do autor.


Dom Vasco Teles da Gama in Diário Digital (18-Fev-2010)

Que República vamos comemorar em 2010?


Em 2010, a propósito do “centenário da república”, vamos comemorar o quê? Uma ideia — a ideia de república? Um acontecimento – o derrube revolucionário da monarquia constitucional nas ruas de Lisboa em 5 de Outubro de 1910?  Ou um regime – o que resultou do monopólio do Estado e do constrangimento da vida pública por um partido da esquerda radical, o Partido Republicano Português, entre 1910 e 1926?

Repúblicas há muitas, e nem todas as repúblicas são a mesma coisa. A Coreia do Norte é uma república, tal como Portugal, e a Bélgica é uma monarquia, tal como a Arábia Saudita. Mas o actual regime português tem felizmente mais a ver com a Bélgica do que com a Coreia do Norte, e a Bélgica mais a ver connosco do que com a Arábia Saudita. A nossa República Portuguesa, desde 1910, também já foi muita coisa, com situações constitucionais muito diversas: a I República (1910-1917), a República Nova (1918), outra vez a I República (1919-1926), a Ditadura Militar (1926-1933), o Estado Novo (1933-1974), o PREC (1974-1976), a Democracia (a partir de 1976). Comemorar a implantação da república, neste contexto, é comemorar o quê? Todos esses regimes ao mesmo tempo? Só um deles – e qual?

Talvez alguém, um dia, nos venha explicar o que significa a efeméride. Entretanto, examinemos as hipóteses, antes de reflectir um pouco sobre a especulação político-partidária que pode estar por detrás de tudo isto.

Uma ideia?

Do Governo da República pelo Rei é o título de um livro de Diogo Lopes Rebelo publicado em 1496, no tempo do rei D. Manuel I. Como salientou o historiador Vitorino Magalhães Godinho, os reis e as cortes portuguesas a partir do século XV sempre pensaram no reino de Portugal como uma “república” no sentido clássico: um governo em que, independentemente da origem do poder dos governantes, estes regiam o Estado tendo em conta o bem público e de uma maneira regular e legal, sem arbítrio pessoal. Mais tarde, sobretudo a partir do século XVIII, acrescentou-se a esta ideia de república, o princípio da participação dos cidadãos no governo, através de instituições representativas e em nome da soberania da nação. A monarquia constitucional portuguesa, no século XIX, foi esse tipo de “república”. Portugal já era, neste sentido, “republicano” muito antes de 1910.

Se é para é para comemorar a ideia de república, a escolha do 5 de Outubro de 1910 não é a mais feliz, embora seja há muito tempo feriado nacional. É que aquilo que desde o século XVIII interessou aos verdadeiros “republicanos” nunca foi saber se o chefe de Estado é electivo ou não, mas o tipo de Estado e vida pública. O ideal republicano era o de uma comunidade de cidadãos independentes a viver sujeitos às leis e não ao arbítrio de outros homens. Por isso, a Grã-Bretanha, apesar de ter um rei, sempre pareceu mais “republicana” do que a República Francesa.


Nesse sentido, o moderno processo de republicanização não foi obra da revolução de 1910, mas da chamada “revolução liberal” da primeira metade do século XIX: foram os liberais que reduziram o rei a um chefe de Estado com poderes definidos por uma constituição escrita e que estabeleceram em Portugal o princípio do Estado de direito e as instituições e cultura da cidadania.

Na prática, os liberais fizeram da monarquia constitucional o que eles referiam como uma “república com um rei”, isto é, uma comunidade de cidadãos livres com um chefe de Estado dinástico. A Câmara dos Pares estava aberta a todos os que satisfizessem requisitos legais que nada tinham a ver com o nascimento. A Igreja ainda era oficial (como aliás nas repúblicas desse tempo), mas havia liberdade de consciência e estava previsto o registo civil.

Um acontecimento?

Nesse sentido, se as comemorações de 2010 visam celebrar o fim da monarquia constitucional, governada pelos liberais, estaremos então perante uma festa reaccionária para vitoriar o fim de um regime que trouxe as instituições do Estado moderno, a extinção das ordens religiosas, o Código Civil, e o maior eleitorado, em termos proporcionais, antes de 1975?

Em 1910, é verdade, a monarquia constitucional estava em grandes apuros. Tinha uma classe política desacreditada e incapaz de assegurar bom Governo e o jovem rei D. Manuel II era atacado por quase toda a gente, da direita e da esquerda. O Partido Republicano Português, um movimento sobretudo lisboeta, conseguira criar um sério problema de ordem pública, que a monarquia constitucional nunca poderia ter resolvido sem se negar a si própria, tornando-se num regime repressivo, o que a sua classe política não podia aceitar. Quando o PRP resolveu tentar a sua sorte em Outubro de 1910, subvertendo a guarnição de Lisboa, quase ninguém apareceu para defender o regime.


Tudo isto é verdade. Mas se o objectivo é celebrar a morte de sistemas políticos apodrecidos, ignorando o que se lhe seguiu, não deveríamos comemorar também o 28 de Maio de 1926, que igualmente pôs fim a um regime desacreditado e já sem defensores?

Um regime?

Gostamos de contrastar o actual regime democrático, desde 1974, com a ditadura do Estado Novo (1933-1974). Mas o regime implantado em Portugal em 1910 e que durou até 1926, a chamada I República, tem tão pouco a ver com a actual democracia como o salazarismo. A I República passou por várias situações e foi dirigida por várias personalidades. Mas na sua versão dominante, associada ao monopólio do poder pelo Partido Republicano Português de Afonso Costa, foi um dos regimes mais intolerantes, exclusivistas e violentos do século XX em Portugal.

O grande problema da I República de 1910-1926 foi saber-se se era um regime aberto a todos os portugueses, ou só para alguns. Os líderes do dominante Partido Republicano Português de Afonso Costa, situado na esquerda radical, achavam que devia ser só para os militantes do seu partido, que monopolizavam o governo e todos os empregos no Estado. Recusavam o princípio da alternância no poder (“na república não se governa para a direita”) e qualquer desvio à linha anti-católica.  Outros republicanos – como os presidentes Manuel de Arriaga e Sidónio Pais e o próprio “fundador da república”, Machado Santos – quiseram, pelo contrário, fazer uma “república para todos os portugueses”, isto é, conciliadora com a igreja católica e aberta à participação livre no espaço público de quem não era militante dos partidos republicanos ou não tinha ideias de esquerda. Por causa disso, Arriaga foi deposto em 1915, e Sidónio e Machado Santos, assassinados (em 1918 e em 1921 respectivamente).

A “democracia” do PRP assentou na redução do eleitorado através da negação do direito de voto aos analfabetos: durante a monarquia, puderam votar 70% dos homens adultos em Portugal; com a I república, essa percentagem reduziu-se a 30%. A “tolerância” de Afonso Costa consistiu numa guerra de morte à Igreja católica, sujeita a uma “lei de separação” que visava de facto o contrário: a sujeição do clero e dos católicos à prepotência e arbítrio de um Estado hostil. Críticos e oposicionistas ficaram sujeitos à violência dos gangues armados do PRP, que em 1911 trataram de destruir (dizia-se então “empastelar”) todos os jornais ditos “monárquicos” em Lisboa.

A I República foi ainda o primeiro regime a excluir expressamente as mulheres da vida cívica, ao negar-lhes por lei o direito de voto. Nas colónias de África, seguiu uma política dura e racista, que em 1915 chegou ao genocídio das populações do sul de Angola. Afonso Costa forçou ainda a entrada de Portugal na I Guerra Mundial (1914-1918). Em dois anos, houve quase tantos mortos como nos treze anos de guerras coloniais entre 1961 e 1974. É com este regime que a nova democracia portuguesa se quer identificar em 2010? …

Rui Ramos na revista do Correio da Manhã, em Outubro de 2009

Opinião de Alberto Gonçalves no DN

Cem anos de simulação

Não vou aos touros, não gosto (genericamente) de fado e nunca experimentei o mais vago sentimento monárquico. Mas comemorar a Iª República é igual a comemorar o dia em que o nosso tio-avô contraiu sífilis. A abolição da monarquia constitucional resultou da acção de um pequeno bando de rústicos, de carácter, conduta e aspecto duvidosos. O regime imposto pelo bando foi um exercício de limitação sucessiva de direitos concedidos, é verdade que moderadamente, até 1910. Fora a famosa liberdade religiosa, um pretexto para perseguir o clero, no resto, contas por alto, condicionou-se a liberdade de expressão, mediante censura activa, e a liberdade de voto, entretanto restrita aos alfabetizados – cujo número, durante a vigência “progressista” de Afonso Costa e comparsas, misteriosamente quase não sofreu alterações (durante Salazar, curiosamente, sim).

As consequências imediatas de semelhante delírio traduziram-se na emergência do Estado Novo, que adaptou a trela nos costumes e contrapôs ao caos governativo e económico um modelo de ordem, para alívio inicial das massas. As consequências a longo prazo ainda se sentem hoje, quando um país teoricamente civilizado festeja com pompa oficial a delinquência e o atraso de vida, afinal os autênticos “valores” da I República, de que a III, para nosso embaraço, pelos vistos não abdica.

Alberto Gonçalves

Diário de Nótícias, 31 de Janeiro de 2010

Jantar de Posse da Nova Direcção da Juventude Monárquica de Lisboa


Jantar de Posse da Nova Direcção da Juventude Monárquica de Lisboa
Na sequência do pedido de demissão da anterior direcção da Juventude Monárquica de Lisboa, por de impedimento da vida pessoal e profissional do seu Presidente Joel Moedas Miguel, a direcção da Real Associação de Lisboa, ao abrigo do Regulamento Interno, nomeou uma nova direcção presidida por Duarte Seabra Calado. Do novo elenco directivo fazem parte Francisco Franco de Sousa, Vice- Presidente, Pedro Rodrigues de Castro, Secretário, Tomás de Mello Breyner, Tesoureiro, João Júlio Teixeira, Pedro Costa Lira e Filipa Xavier, Vogais e como Vogais  Suplentes Mariana Marques Guedes, Mariana Guimarães, Pedro Lopes Martins, Joana Bordalo e Catarina Mattos Correia.
A posse da nova direcção da Jota da Real Associação de Lisboa ocorreu num jantar, no Palácio da Independência, no passado dia 21 de Janeiro, com cerca de cem participantes, tendo estado também presentes o Secretário – Geral da Causa Real, Rui Gomes Araújo, o Presidente da Juventude Monárquica nacional, Álvaro Diogo de Meneses e o Secretário do Conselho Fiscal, Luís Barata., Duarte Calheiros e Manuel Figueiredo, respectivamente Vice- Presidente e Tesoureiro da anterior direcção da JML. A posse foi dada pelo Presidente da Direcção da Real, João Mattos e Silva que dirigiu algumas palavras aos jovens presentes, tendo respondido o novo Presidente Duarte Seabra Calado. Pedro Rodrigues de Castro apresentou depois em power point o plano de acção para 2010 e os grandes objectivos da nova direcção da Juventude Monárquica.



Na sequência do pedido de demissão da anterior direcção da Juventude Monárquica de Lisboa, por de impedimento da vida pessoal e profissional do seu Presidente Joel Moedas Miguel, a direcção da Real Associação de Lisboa, ao abrigo do Regulamento Interno, nomeou uma nova direcção presidida por Duarte Seabra Calado. Do novo elenco directivo fazem parte Francisco Franco de Sousa, Vice- Presidente, Pedro Rodrigues de Castro, Secretário, Tomás de Mello Breyner, Tesoureiro, João Júlio Teixeira, Pedro Costa Lira e Filipa Xavier, Vogais e como Vogais  Suplentes Mariana Marques Guedes, Mariana Guimarães, Pedro Lopes Martins, Joana Bordalo e Catarina Mattos Correia.

A posse da nova direcção da Jota da Real Associação de Lisboa ocorreu num jantar, no Palácio da Independência, no passado dia 21 de Janeiro, com cerca de cem participantes, tendo estado também presentes o Secretário – Geral da Causa Real, Rui Gomes Araújo, o Presidente da Juventude Monárquica nacional, Álvaro Diogo de Meneses e o Secretário do Conselho Fiscal, Luís Barata, Duarte Calheiros e Manuel Figueiredo, respectivamente Vice- Presidente e Tesoureiro da anterior direcção da JML. A posse foi dada pelo Presidente da Direcção da Real, João Mattos e Silva que dirigiu algumas palavras aos jovens presentes, tendo respondido o novo Presidente Duarte Seabra Calado. Pedro Rodrigues de Castro apresentou depois em power point o plano de acção para 2010 e os grandes objectivos da nova direcção da Juventude Monárquica.



D. Duarte e os gastos das comemorações do centenário da república


O Duque de Bragança disse, este sábado, à Lusa que considera excessivos os 10 milhões de euros destinados às comemorações da República, apesar de não se opor à homenagem aos líderes republicanos «que tinham um ideal».


«Podemos, e estou de acordo, prestar uma homenagem ao idealismo dos homens que fizeram a Revolução de 5 de Outubro, nomeadamente a Carbonária, que era um movimento terrorista da época, mas eram idealistas dispostos a dar a vida pelas suas causas. Os líderes republicanos que tinham um ideal merecem uma homenagem, mas 10 milhões de euros acho um pouco demais», disse D. Duarte Nuno, Duque de Bragança.

«Gastar 10 milhões de euros para celebrar 100 anos que não correram bem não vale a pena, é um desperdício muito grande», disse.

D. Duarte falava à margem do VII Almoço de Reis, em Santarém, promovido pela Real Associação do Ribatejo e que se realizou depois de uma reunião da direcção nacional da Causa Real, presidida por Paulo Teixeira Pinto, e que contou com a presença dos presidentes das Reais Associações de todo o país.

Causa Real demarca-se de pedido de referendo

Paulo Teixeira Pinto disse à Lusa que a Causa Real vai tomar uma «posição pública» sobre o dia 31 de Janeiro, dia escolhido para o início das comemorações oficiais do centenário da República. Teixeira Pinto considera data «adversa» ao ideal monárquico, mas não quis revelar pormenores sobre a iniciativa.

O presidente da Causa Real demarcou-se da iniciativa do Partido Popular Monárquico (PPM), que quer propor um referendo para saber se os portugueses preferem a monarquia ou a república. «Não temos que nos associar a iniciativas do PPM. No limite, o PPM é que poderia ter que se associar a iniciativas da Causa Real», rematou.

Por seu turno, D. Duarte Nuno recordou que a actual Constituição portuguesa proíbe outro regime que não o republicano, pelo que, primeiro, é preciso conseguir que dois terços dos deputados da Assembleia da República aceitem retirar o artigo que declara inalterável a forma republicana, substituindo esta expressão por «é inalterável a forma democrática de Governo», disse, acrescentando que «só depois vale a pena estudar um referendo».


http://diario.iol.pt/politica/d-duarte-d-duarte-braganca-monarquia-republica-tvi24/1131983-4072.html

Paulo Teixeira Pinto processa Francisco Louçã

Líder do Bloco classificou de «patusca» uma iniciativa da Causa Real, à qual pertence o ex-banqueiro e que, segundo Louçã é um grupo de «saudosistas monárquicos»

O ex-presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, apresentou uma queixa-crime contra Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, que acusa de difamação e calúnia. A queixa deu entrada no final de 2009 na Assembleia da República.

Em causa estão as declarações proferidas por Louçã a dia 5 de Outubro de 2009, que uma iniciativa da Causa Real (o desembarque no Terreiro do Paço e um cortejo nocturno aos gritos de «Viva a Monarquia») era uma acção «patusca» promovida por um «banqueiro milionário» associado ao período do colapso da liderança do BCP.

Excerto da Entrevista a Paulo Teixeira Pinto ao Diário de Notícias

O editor Paulo Teixeira Pinto não quis deixar entrar o político e o banqueiro na entrevista, e foi difícil obrigá-lo a falar desses temas em dia de chuva molha-tolos. Entre uma e outra entrada forçada nessas arenas – que fez questão de abandonar -, lá comentou a situação nacional fora do seu projecto literário

Meteu a sua vida política na gaveta e só pensa em livros. Mas, para quem já teve várias funções no Governo, é difícil confrontar-se com o estado da política nacional?

Receio que a situação esteja mais degradada.

Devido ao desrespeito pelas instituições que representam o Estado português?

Penso que tem havido uma espécie de inconsciência de alguns protagonismos políticos e, de certa forma, até do modo como fazem a sua comunicação. Nenhuma adversidade ou guerra política justificam uma forma de desrespeito formal e de educação entre as pessoas! Aquilo que me preocupa hoje e que me choca, quando leio à distância e sigo alguma da chamada guerra política, é, antes de saber do argumento ou da razão de cada um, a adjectivação usada para defender cada posição. E quando os adjectivos ocupam o lugar dos substantivos, é porque há pouca coisa a dizer e muito a gritar.

Refere-se aos conflitos entre o Presidente da República e o primeiro-ministro?

Não, estou a falar no geral.

É o que se passa na justiça portuguesa?

Sobre esses assuntos, não falo, senão estava aqui uma conversa para três horas…

Preocupa-o este constante vazar de informações que estão em segredo de justiça?

Preocupa-me, como cidadão, a devassa da vida individual e que as instituições a tolerem.

Refere-se às instituições judiciárias?

As instituições públicas em geral.

É por essa razão que acredita na proclamação da monarquia?

Acredito que temos de fazer o melhor para que volte a acontecer a restauração da monarquia. Se me pergunta se vai acontecer ou para quando a prevejo, a isso não sei responder. A única coisa de que estou certo é que, quando for, será por via democrática e não revolucionária.

Ainda recentemente deu uma aula sobre o tema “Monarquia e república”…

Defendo sempre que a monarquia não é uma forma de governo, que o rei já é um governo porque a monarquia é uma forma de regime.

Isso leva-nos à situação política do início do mandato de Cavaco Silva, em que se achava que o Presidente só iria reinar…

Não se pode pôr isso dessa forma… Não quero comentar a actualidade e prefiro guardar a posição política para mim, sem misturar os planos.

… A situação política actual mostra que não é isso que se está a passar?

Portugal vive de acordo com um sistema semi-presidencial, o que significa que o Presidente não é uma figura meramente tutelar, mas que tem poder efectivo. Não sendo apenas o símbolo de representação da chefia do Estado – é mais que um símbolo titular do poder -, tem de o exercer. E, genericamente, devo dizer – sendo impossível concordar com todos – que, desde 1976, Portugal teve presidentes da República eleitos e que no geral todos representaram bem e dignificaram o Estado português.

Mas não estávamos acostumados a ver na praça pública conflitos como hoje em dia.

Isso não… Mas não quero fazer comentários.

Façamo-lo de forma mais “real”. Durante a monarquia, não existia um conflito tão grande entre o rei e o primeiro-ministro?

Os reis, não é suposto terem juízos ou avaliações políticas. Os reis não são parte do sistema político porque estão por cima dos agentes políticos, daí não é suposto serem motivo de disputa ou protagonistas da dialéctica política.

Falemos então do PSD. A implosão que se verifica no partido é uma situação muito perigosa para a democracia portuguesa?

A democracia portuguesa precisa sempre de um PSD muito forte, porque é um elemento determinante no equilíbrio do sistema político. Ao PSD só cabem duas vocações, e não há uma terceira: é um exercício reformista do poder ou uma liderança construtiva da oposição como forma de alternativa desse exercício do poder. Portanto, o PSD ou está no poder, e tem de ser reformista, ou está na oposição, e tem de ser liderante nessa alternativa.

Nas últimas eleições para a liderança do PSD, apoiou Pedro Passos Coelho contra Manuela Ferreira Leite. Estava certo?

Não tenho motivo para estar arrependido, mas não foi uma aposta contra ninguém. Apoiei Pedro Passos Coelho porque estava de acordo em questões essenciais, nomeadamente na que para mim era importante – embora esquecida e obliterada pelas escolhas políticas -, a da Constituição Europeia. Teve a coragem de se afirmar contra e de manter a posição até ao fim, mesmo sem ser a posição do PSD. Tendo a concordar com pessoas que têm a mesma posição que defendo no mais importante e não no acessório.

O apoio a Passos Coelho mantém-se?

Sim, com certeza.

Acredita que o PSD encontrará o caminho para sair da crise nos próximos tempos?

Espero que o PSD saia da crise, mas não quero ter qualquer protagonismo na vida ou na luta partidária. Nunca tive qualquer cargo no PSD, e não é agora que estaria motivado para tal. O que desejo é que se encontre uma solução de estabilidade que permita assegurar o crescimento.

A sua actuação pública dos últimos meses tem sido muito vigorosa no campo monárquico. Ainda se justifica lutar para que o rei regresse ao poder em Portugal?

Eu faço-o, e todos aqueles que o fazem certamente têm a mesma posição. Não por uma questão de tradição ou de interesse – porque não há aqui conveniência alguma -, mas por uma questão de convicção. Nem por um juízo de probabilidade, por acharmos que é possível a curto prazo ou que vai ser provável, mas por nos mantermos fiéis ao princípio de convicção, que é aquilo que nos une. E não há que ter vergonha no facto de nos orgulharmos de defender uma instituição que foi representação do Estado português durante quase 800 anos.

Mesmo na véspera do ano em que se comemora o centenário da república?

Este próximo ano é especial para nós porque representa um estímulo adicional de firmação do legado português consubstanciado na instituição régia. Não estou a falar de nobreza, de aristocracia ou de outras figuras, mas apenas do rei e da sua vinculação ao povo. E cem anos de república, mesmo quando se oblitera uma II República, que retira a razão para falar em centenário, não creio que possam orgulhar especialmente Portugal. Não tenho uma visão dico- tómica, ou seja, que o período da república é mau e o da monarquia, positivo. Também houve muitas manchas negras na monarquia e muitas positivas na república. A afirmação da instituição real tem a ver com uma questão histórica e de Portugal ser uma construção real.

Conquistar adeptos para a monarquia não é actividade fácil em pleno século XXI?

Gostava de sublinhar a atenção para aquilo que se tem verificado nas últimas manifestações públicas monárquicas: um número crescente de pessoas a participar e sobretudo de jovens.

Acredita que os portugueses ainda se revêem nos ideais monárquicos?

Gostava que isso fosse perguntado aos portugueses e que ninguém respondesse por eles.

Sugere um referendo?

Sugiro que seja feito um referendo à república, e não à monarquia. Porque a república foi implantada de uma forma não democrática, como todos têm presente historicamente. O que deveria ser referendado era a república, e não a restauração da monarquia. Por outro lado, vejo a crescente empatia com que o Sr. D. Duarte é recebido em todas as povoações que visita em Portugal: no interior e no litoral, a norte ou a sul. É recebido não apenas com simpatia mas com entusiasmo convincente.

Quem não está no poder tem sempre a vida facilitada. É o caso do Sr. D. Duarte?

Não é uma questão de poder apenas, mas acho que a vantagem está sempre com quem detém o poder.

A convocação de um referendo sobre a república seria uma situação muito perigosa?

Perigosa? Julgo que não. Complexa, seguramente que é, como acontece sempre que se põe em causa um ditame de uma geração para todas as futuras. Sempre que uma geração advoga a arrogância de poder ditar para todas as demais o que vão ser, normalmente o resultado não é bom. E a geração de 1976 [a que aprovou a última Constituição] entendeu que podia ditar para a eternidade, que não se voltaria a falar de república ou de monarquia. Porém, mais de 30 anos depois, existem monárquicos. E muitos com menos de 30 anos.

(..l.)



27 de Dezembro 2009 – Diário de Notícias


Até agora a Comissão do Centenário já gastou 724 114,5 euros em contratos sem concurso

Os gastos com a comunicação das Comemorações do Centenário da República, a decorrer em 2010, já somam 344,4 mil euros. No total, a Comissão responsável pelo evento disponibilizou até agora 724 114,5 euros, para contratos feitos com empresas por ajuste directo, isto é, sem recurso a concurso.
Para Paulo Teixeira Pinto, presidente da Causa Real e ex-presidente do BCP, “a política é fazer escolhas e fazer escolhas é ter prioridades”. “Não se deve fazer ajustes directos e, neste momento, é completamente desproporcional à realidade e inoportuno”, critica, em declarações CM.
Para preparar o evento, que terá acções pontuais entre 31 de Janeiro e 5 de Outubro de 2010, esta Comissão, presidida pelo responsável do BPI, Artur Santos Silva, já investiu 724 114,5 euros. Num ano em que Portugal atravessa uma das maiores crises financeiras, as comemorações, têm um orçamento de dez milhões de euros proveniente do Orçamento do Estado.
Para dar conhecimento do evento, a Comissão contratou a construção do site centenariorepublica.pt. O design foi atribuído a Henrique Cayatte, Lda e custou 99 500 euros. Ao conceituado designer foram ainda pagos, a título pessoal, outros 90 mil euros pela prestação de serviços e aquisição de material de suporte à comunicação dos eixos programáticos.
A Comissão de Honra das Comemorações, presidida por Cavaco Silva, conta com 13 elementos, entre eles Jaime Gama, presidente da AR, José Sócrates, primeiro-ministro, e Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Além disso, há uma Comissão Consultiva de 17 pessoas, presidida pelo ministro Pedro Silva Pereira, e da qual fazem parte, por exemplo, Júlio Isidro e Margarida Pinto Correia.
Correio da Manhã 11 Dezembro 2009 – 00h30