Paulo Portas, o realista convicto
O líder do CDS não exibe, mas também não esconde, a sua preferência. E diz que os países mais bem governados são monarquias
Paulo Portas, líder do CDS/PP, é monárquico por convicção. Filiado na Causa Real desde muito novo, faz questão de pagar as quotas todos os anos.
Apesar de não apregoar essa sua condição e de nem sequer se lembrar do ano em que se filiou, Portas afirma: “Gosto de ter as contas em dia”, acrescentando que deve ter entrado quando tinha “à volta dos 20 anos”.
No entanto, lembra-se bem porque o fez: “É uma questão sentimental, de coração”. Acredita que viveríamos melhor numa monarquia. Dá como exemplos os países nórdicos, a Inglaterra ou a própria Espanha, “que deve à monarquia e ao seu rei não ter tido uma segunda guerra civil”. E acrescenta: “Tenho a impressão de que os países mais bem governados são aqueles que têm monarquias constitucionais”.
Como cidadão, “enfada-me a cultura dominante, que não olha com realismo para o século XX”, Diz que os portugueses não conseguem olhar de forma clara e sem preconceitos para o que foi a l República, “Só tendo uma visão facciosa é que se diz que foi democrática. Houve imensas perseguições, a imprensa foi silenciada, os governos mudavam de três em três meses. Penso que esses anos explicam como e porque se desembocou no Estado Novo”.
Paulo Portas afirma que nunca fez desta sua filiação monárquica ação política ou propaganda. Preferia que na Constituição portuguesa houvesse a possibilidade da escolha do regime.
“O que é essencial é que se garantam as liberdades individuais. Não a forma de governo. Para mim, os portugueses são republicanos quanto ao modo de escolha do chefe de Estado, mas monárquicos quanto ao exercício da função do Presidente da República”.
Tem do pretendente ao trono, D. Duarte de Bragança, boa impressão. Encontram-se de quando em vez e diz ter com ele “variadíssimas conversas sobre agricultura e tradição. É uma pessoa muito simpática e sincera, embora se fosse rei teria que ser mais reservado sobre as suas opiniões”.
Fonte: Expresso nº 1972 de 14 de Agosto de 2010, p. 15





