D. Duarte acusa a nossa democracia de limitar o direito de escolha

São políticos num estado republicano mas estão Filiados na Causa Real uma organização política, com vários núcleos, cobrindo todo o território nacional e as regiões autónomas. Os seus nomes vão da direita à esquerda, de diferentes idades e condições sociais. Por todo o país há mais de dez mil filiados no movimento que defende e luta pela instauração da monarquia Encabeçada por Paulo Teixeira Pinto, ex-banqueiro e atual proprietário da editora Babel, responsável também pela proposta de revisão constitucional do PSD, a causa dos monárquicos em Portugal está ativa. Sucedem-se os encontros, os debates, as discussões nas redes sociais e aumenta todos os meses o número de pessoas que se querem filiar na Causa Real. “Na Real Associação do Porto temos um pedido de inscrição por dia”, diz o seu presidente Jorge Leão. Porquê? Dom Duarte de Bragança, o pretendente ao trono explica: “Temos uma república que não é completa, onde o povo é tratado como ignorante. A nossa democracia limita muito o direito de escolha ao não permitir que se pronunciem sobre o tipo de chefia de Estado que querem. É este um dos limites materiais da nossa Constituição”.
Ambicionar ser vassalo do país
Paulo Teixeira Pinto vai mais longe e diz que ao defenderem um regime monárquico constitucional estão a defender o futuro, dai o crescente interesse. “A monarquia não é um programa político, não é uma ideologia, não se antepõe a nenhum dos outros partidos. Pelo contrário, o que se pretende é uma monarquia diferente da de 1910, democrática, constitucional, mais moderna”. Num jantar ocorrido no Porto há duas semanas, onde estavam reunidos mais de 150 monárquicos do norte do país, o presidente da Causa Real dizia: “Não queremos fraturas, títulos, honrarias, não somos urna classe, uma casta. O maior título que podemos ambicionar é o de vassalo, do rei e do país”.
Mas os monárquicos dão sinais de vida através da formação e informação dos portugueses sobre as vantagens da monarquia, através de ações políticas ou exposições em escolas. E ao longo do ano têm atividades mais visíveis como a Festa Azul e Branca, que ocorre anualmente no dia 4 de outubro, e que no ano passado incluiu um passeio e festa a bordo de um cacilheiro no Tejo, seguida de uma arruada desde o Cais do Sodré até à Praça Luís de Camões, no Chiado, onde se situa a sede da Causa Real. Ou ainda mais importante, o jantar dos Conjurados, que se realiza no dia 30 de novembro, no Convento do Beato, e reúne mais de mil pessoas.
Fidelidade à família real
“Trata-se de uma manifestação de fidelidade à família real portuguesa, em memória da reunião dos Conjurados de 1640, quando se restaurou a independência portuguesa”, explicou ao Expresso, João Matos e Silva, presidente da Real Associação de Lisboa. Uma iniciativa que muito agrada a D. Duarte de Bragança, para quem “o rei é o símbolo da nação, é a figura que permite maior estabilidade da vida política. É um árbitro, independente, nem de esquerda nem de direita, e por isso poderia evitar o frequente conflito político a que Portugal está habituado”. E o pretendente interroga: “Como se aceita que o supremo árbitro da vida política pertença a um dos clubes que está em jogo?”. Mas mais importante para já, diz o pretendente, seria alterar os limites materiais da Constituição: “O que a Constituição diz é que não se pode alterar a forma republicana de governo. O que deveria dizer é que não se pode alterar a forma democrática de governo”.
Curiosamente, entre os próprios monárquicos existiram divisões sobre a sucessão de D. Manuel II. De acordo com o Pacto de Dover, que teria sido propiciado por Paiva Couceiro, D. Duarte Nuno, pai do atual pretendente, teria sido reconhecido herdeiro. Mas parte da nobreza apeada pelo 5 de Outubro, de que se destacam os marqueses do Lavradio, recusaram-se por anos a aceitar que o ramo absolutista, de que descende por via paterna D. Duarte, voltasse ao trono depois de ter sofrido a derrota frente aos liberais, reconhecida na Convenção de Evoramonte.
A Causa Real foi fundada durante a I República, como Causa Monárquica, com o objetivo de reunir os monárquicos de varias tendências políticas no apoio a D. Manuel II, que fugiu de Portugal a 5 de Outubro de 1910. A associação chegou ao 25 de Abril e foi posteriormente renegociada.
Texto – Cândida Santos Silva
Fotos – Jorge Simão
Fonte: Expresso nº 1972 de 14 de Agosto de 2010, p. 14




